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sexta-feira, 13 de maio de 2011

VAMOS FALAR DE SEXO. A homossexualidade é doença?

Uma das perguntas com que o psicólogo e o estudante de psicologia se deparam com maior freqüência é a questão de se a homossexualidade é uma doença. Alguns psicólogos ainda ficam perplexos perante tal pergunta, ficam sem jeito e não sabem dar uma resposta clara, especialmente quando seus interlocutores são pessoas com convicções religiosas marcadamente tradicionais. Estes costumam falar que a retirada da homossexualidade do DSM III (Manual de Diagnóstico e Estatística de Perturbações Mentais) em 1974, por parte da Associação Americana de Psiquiatria, obedeceu a pressões políticas. Então, o fato de que hoje em dia seja proibido tratar a homossexualidade como uma doença se deve a razões científicas ou políticas? Será que os psicólogos falam que não é doença para serem politicamente corretos, mas acreditam secretamente que sim é? Será que a homossexualidade nunca deveu ser tirada do DSM ou que nunca deveu ser incluída? Será que os cientistas tem mudado sua posição, suas convicções a esse respeito?
 A psicanálise oferece uma solução a esses dilemas. Na gênese das doenças mentais participam uma pluralidade de causas, entre elas a repressão de pulsões inconscientes. No entanto, quem tem um comportamento homossexual ou se considera homossexual claramente não reprime esse tipo de pulsões. Da perspectiva freudiana, fica muito claro que a homossexualidade não pode ser considerada uma doença, pois lhe faltaria um elemento causativo essencial: a repressão.  Freud classifica em 1905 a homossexualidade entre as perversões, como o fetichismo, mas essa seria uma consideração social, mais que científica. De fato o próprio Freud em 1935 afirmava que a homossexualidade era uma simples variação da função sexual, enfatizando que não se trata de uma doença e declarando ainda que é uma injustiça e uma crueldade perseguir a homossexualidade como se fosse um crime. Neste sentido é esclarecedor o seguinte texto de Magali Milene Silva:
                A psicanálise não postula normas para a sexualidade, mas isso não quer dizer que a sexualidade não se constitua através de princípios normativos; não elege entre as formas possíveis de expressão da sexualidade a melhor ou mais adequada, mas, por outro lado, considera a sexualidade humana marcada pela pulsão. Com a construção teórica das fases do desenvolvimento psicossexual infantil, Freud se refere à tentativa de organização das pulsões parciais. Ele não postula uma organização preferencial, embora reconheça que algumas formas de organização sejam mais adequadas à cultura. Por outro lado, ele afirma que a organização pulsional, mesmo que nunca completa, é marca da sexualidade humana. Ou seja, embora não defenda uma norma específica, requer que o sujeito não desista de sua função normativa (de construção de formas que o orientem na relação com os objetos), mesmo sendo essas sempre incompletas.” (Silva, M. M. Para além da saúde e da doença: o caminho de Freud. Ágora: Estudos em Teoría psicanalítica. Rio de Janeiro. 2009)

Jaume Aran

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