Retomando, quando foi para Paris Freud entrou em contato com Jean-Martin Charcot, professor renomado na época. Charcot conduzia experimentos com histéricos na Salpêtrière, doença que até então era pouco compreendida. As experiências de Charcot acabam por exercer uma grande influência em Freud, e este tem os primeiros impulsos para desenvolver a psicanálise.
A histeria se caracteriza por uma série de sintomas, identificados desde a Antiguidade e sem uma causa orgânica aparente, como ataques convulsivos, anestesias, perturbações da atividade sensorial, paralisações, contrações musculares, etc. No fim do século XIX, os casos aumentaram consideravelmente e a medicina nada podia fazer, pois, como não se identificava uma causa orgânica, não podiam tratá-la. Por esse motivo havia um desinteresse, por parte dos médicos, pelos casos histéricos e a sua etiologia era tida como enigmática.
Em Salpêtrière, Charcot ficava no setor onde abrigavam os epilépticos e os histéricos, o setor chamava-se “setor dos epilépticos simples”. Na época a epilepsia simples era considerada por desvios funcionais, sem lesões no cérebro, e tinha como principal sintoma as crises convulsivas. As epilepsias simples e as histerias eram englobadas no gênero “neurose”, apesar de se assemelharem havia características que as individualizam. Charcot foi o primeiro que delimitou com sucesso as características distintivas da histeria. Na sua estadia em Paris, Freud se convenceu que as histerias eram uma patologia que deveriam ser estudadas seriamente, ele acreditava que as manifestações histéricas eram autenticas e obedeciam a certas leis. Foi em Paris também, que Freud entrou em contato com um novo método de intervenção terapêutica, denominado “sugestão hipnótica”.
(Continua)
Fonte: SIMANKE, Richard Theisen; CAROPRESO, Fátima. Temas de introdução à psicanálise freudiana. São Carlos: Edufscar, 2006.
Angelo Luiz Sorgatto
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